terça-feira, 11 de março de 2014

Cotidiano

Depois de uma noite, bem ou mal dormida...
Depois de acordar e logo sentir o peso do dia,
de tirar disposição para levantar
(não sei de onde, talvez do hábito).

Depois de pegar o carro ou o ônibus,
andar na chuva ou no sol,
ter tomado um café bom ou ruim,
ter visto pessoas agradáveis ou desagradáveis...

Com os velhos, ou os novos problemas na cabeça...
Com medo da prova de amanhã,
com medo da filha internada,
com saudade dos pais,
com a ansiedade da nova viagem,
com as lembranças da noite perfeita...

Eu não sei como você está, nem o que você pensa.
Eu não tenho tempo para isso e nem me interessa.
Eu já te conheço o suficiente.
E eu não espero nada de você.

Ah não ser seu olhar, talvez seu sorriso
(que se eu soubesse como despertá-lo...
eu certamente o faria)
Eu só espero você passar
E ao te ver passar ninguém mais te deseja um belo dia do que eu.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Metrópole

A altura dos prédios rouba minha visão
Os carros todos me prendem
E eu não me mexo, nem me enxergo
Quem sou eu aqui?

Que lugar é esse, cheio de fumaça
De pessoas e movimentos
De passos que eu não consigo acompanhar
De céu sem cores e árvores perdidas, esquecidas

Que lugar é esse, de tanto excesso
Cheio de olhares atentos e cansados
Olhares que não correspondem sorrisos
E onde está o sorriso?

Que pessoas são essas que eu nunca vi
Que vivem para o trabalho
Que correm para não perder o ônibus
Correm para não perder tempo
Correm para não perder dinheiro
Correm para (não) perder a vida

Será que alguém consegue me ver aqui?
Não, não há tempo para isso.
Ah, eu preciso ir embora
Antes que eu precise correr para viver

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Mais uma vez

De novo te encontro e te quero
De novo te espero
Meu coração, de novo, pensa em viver
Um novo engano, de novo

De novo perco minhas noites de sono
Passo os dias sonhando,
o  esquecer do mundo
De novo esqueço de mim

De novo, um novo beijo seu

Um novo amor, de novo
Um sonho novo
Um beijo novo, de novo

Eu, de novo,
Nova perdição, nova paixão
Um novo medo, uma nova ilusão
De novo, um novo novo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Existência

Penso que existo
E a cabeça dói, a alma pesa

Mandaram-me viver
E eu não soube recusar

Agora já sou eu
Posso ser um outro?
Tenho a mim
Mas a mim não desejo

Vivo assim, sendo.
Não sei não ser
Ainda que eu queira
Querer saber não ser

A vida que deram-me
Não soube aceitar
Vivo assim, sem a vida
Que todos me esperaram acreditar

domingo, 5 de janeiro de 2014

O papel ainda em branco
Vazio como minha alma
Tenta, em vão,
dizer o que eu não digo

O silêncio do violão encostado
Triste como a vida
Tenta, em vão,
Sentir o que eu não sinto

E o tempo vai passando
Enquanto eu vou (não) vivendo
Só sigo me perdendo
Nos meus próprios passos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Talvez nada seja mesmo real
Mas que sei eu mesmo,
Senão o que penso que seja
O mundo que acho que é?

Se meu mundo for seus olhos
E que eu viva só para vê-los brilhar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?

Se meu mundo for as ondas do mar
E que eu viva só para senti-las me levar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?

Se meu mundo for só canções,
cores e sensações.
...E então, eu? O que sou?

Se nem sei quem sou
onde estou, nem por que
nem por nada.
Será que eu faria diferença para o mundo?

sábado, 19 de outubro de 2013

Liberdade

Liberdade que nunca terei
Que sempre estarei presa a poesia
Dependente dessa dor que é escrever
Sufocada por sempre precisar de alguém
Um alguém que não existe
Mas que ainda procuro...
Seja nas palavras sem sentido
Que pensam dizer alguma coisa
Seja no silêncio ou na solidão
Ou até nesse meu poema-desabafo
Pudera eu saber o que é liberdade
Pudera eu saber escrever
Ou fazer poesia...
Pudera eu entender a arte
Ou saber amar
Ou encontrar a tal liberdade...