quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Distância Fresca

Olha você, ali,
deitada no sofá,
e eu aqui, na mesa,
com tanta saudade de você!

Seus olhos fechados,
sono calmo, imóvel,
e eu, aqui, inquieta,
com tanta saudade de você!

Saíamos para um café,
você lia o cardápio,
eu te olhava e sentia,
tanta saudade de você!

Aqui, lado a lado,
Depois de tantos anos
Depois de tanta saudade
Como pude não esquecer você?

Você me beijava e me cantava
Sonhos de amores infelizes
Eu, quieta, encolhida,
com tanta saudade de você!

sábado, 4 de outubro de 2014

O devaneio da fumaça

O lápis me treme a mão
Meu café me queima a palavra
Meu cigarro,
fumaça que me preenche

A música me enlouquece
Me perco no infinito
desse meu quarto escuro,
tão vazio
que não me cabe.

Não deixo o silêncio me cegar
repeat, repeat, repeat.
Always the same,
o mesmo sufoco
o mesmo desgosto
mesmo tédio
que não quero deixar

Fecho meus olhos
e não me encontro
Abro-os e, tampouco,
não me sei, nem me sou.

O devaneio da fumaça
da fumaça que me desfaz.
da música que me respira
da paz que não tenho mais.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Mais nada, mesmo nada.

Todos os dias penso em parar de morrer
Penso em desistir de novo,
Ou tentar uma carreira de sucesso,
Todos os dias me arrependo d'onde estou

Sinto, todos os dias, a morte mais próxima ao anoitecer
Depois das luzes cinzentas dos meus dias,
guardo as lembranças empurradas
de tudo aquilo que obrigaram-me a viver

Não sei o que é sucesso,
Nem o que é dinheiro, ou política,
Não sei o que é ser feliz, nem quero
Não sei o que é amor e nem acredito (mais)

Não sei mais nada, mas vivo.
Mesmo morrendo todos os dias,
Mesmo perdendo (mais) o controle,
Mesmo...

Todos os dias perco um pedaço
disso que chamam coração
Ele se perde por entre a destruição
Poluição, corrupção, enganação,
...Mundo!

Todos os dias penso em começar a viver,
mas acabo esperando a morte me acabar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Palavra mal calada

Palavra desgasta(da) minha pele
Voou e nem sequer deixou
O débil toque, acostumado
D'amor, da dor do peito.

Mandou um beijo e s'entregou
Ao tédio, ao ébrio, o cego.
Desusada, descuidada, palavra    
Que o silêncio enforcou e (a)pagou.

E riscou no frio da vida
No fim da ponte amarga
Gosto vazio da palavra seca
Engasgada no (seu) último passo

Passos que ainda soam apressados
Despregados do apreço inútil
Inválida saudade, interrompida,
S'esvaiu no ousar da ponte.

Palavra desgraça(da) minha dor
Perdida, imunda no mundo.
Infinito pesar do amar
Acabou-se num sono profundo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

.

Eu, antes, era pedra.
Amei.
Virei pássaro.
Voei.
Depois, era sol
Me queimei
Era cinza

Eu era vento
Fugia.
Era chuva e
Passava.
Voltava.
E era (só) frio.

Eu era o silêncio
Confusão
Solidão
Era a busca frustrada
Perdição.
Caminho sem volta.

Eterna mudança.
Esperança?
Conflito
Aflito.
Era tudo sonho

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Passagem

Os dias tem de serem iguais
Assim como as pessoas que passam
E você não vê
Assim como aqueles olhares
que você não vê.
Aqueles sorrisos
que você finge
e não vê.

Os dias são sempre os mesmos
Estão acostumados a
Aquele velho ir e vir
Velho hábito
que você já não espera mais nada.
Aquela vida que passa
e você não vê.

E você não (me) vê mais
Nada.
E você (me) perde.
Eu passei...
E você me deixou passar.
(por que você me deixou passar?)

Eu já não sou mais.
Eu fui, sem (te) esperar.
Fugi dos meus dias que
não são mais tão iguais.
Fugi, fugi da vida.
E fugi de você
que não (me) deixou ficar.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Verso da folha

Atrás, outro poema confuso
Palavras que desconfio que sejam minhas
A letra parece ser a mesma
E percebo que meus sentimentos são como esses anos
que esqueço ter vivido
Mas minhas olheiras me provam que faltam-me noites bem dormidas
Sobram-me insônias como se eu tivesse mesmo uma vida para cuidar

Talvez eu tenha me esforçado
Tendo noites em claro, em silêncio, em vão...
Tentando esquecer, tentando saber, ou só tentando sonhar...

É sem saber quanto tempo passou
Se alguma coisa mesmo (não) mudou
Que me encontro de novo me perdendo em palavras vazias
Agora, mais vazias do que já ousaram ser
Agora, com a sensação de ter perdido algo
(sem saber talvez o que possa ser)
Aceitando que o vazio preencha qualquer sinal de movimento

Agora, admitindo ser inconstante
e mais errada do que eu achava que seria
mais covarde do que eu sequer pensaria que fosse
Sem a certeza de partir outra vez
Ou ficar aqui de uma vez.

Sem forças, agora, para esquecer a vontade de fugir
Ou conter o desejo de gritar
(Será que eu deveria gritar?)
Ah, eu não quero, eu nem sei
Eu nem sei mais pensar
Talvez eu só deveria
Esperar a canção acabar...