quarta-feira, 4 de maio de 2011

Céu

O céu era a resposta
Era o abrigo e o consolo
De uma vida sem caminhos
Lá estava ele de novo
Agora tão diferente dos meus olhos já crescidos
O céu que viu meus olhos crescerem
O céu que não se cansa dos meus olhares
que a todo tempo fazem pergunta...

Agora que meu tempo já passou
Meu destino já se traçou
Meu lar me deixou
E minha vida mudou (?)

Poderia eu ainda olhar-te com meus olhos de antes?
Ou será que poderiam ainda estar aqui?
Sou eu aquela menina que desenhava nas nuvens
de um céu azul puro de nuvens de algodão?

Agora que larguei meus tesouros
Atirei-me numa estrada longa e cansativa
-e por que não, complexa?
Sou eu quem procura por pedaços de algodão
num céu ferido e dominado por poluição?

Agora que a vida me jogou
para um céu sem brilho e sem pureza
Um céu assustador que esconde sua paz
antes tão estampada em suas cores tímidas

Sou eu quem te olha e te implora
Te imagina e te devora
Sou eu quem te procura puro
Quando a pureza não mais...
É digna de se olhar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Era a alegria da chegada
E a dor da partida
Que faziam da cabeça de uma criança
Um berço de confusões e injustiças.

Fazer piada era fácil.
Sorrir era fácil.
Chorar a noite era fácil,
não entender nada era mais fácil ainda.

Mas o desejo de entender,
Aquilo de querer fazer a coisa certa..
Ora! Entender o quê?
Você já nasceu errada, menina!

Hoje, eu olho o passado e vejo isso.
Amanhã, eu olho de novo e vejo aquilo.
E hoje e amanhã e isso e aquilo.

Fazer parar a dor, é difícil.
Não questionar, é difícil.
Respirar todos os dias, é difícil
Relembrar é mais difícil ainda.

Eu deixo o silêncio,
Deixo a vida,
Deixo a espera.
Deixo a partida.

Não!

Eu não gosto de perguntas.
Eu não tenho pressa.
Mas corro pra te perguntar
Quando isso vai acabar.

Você não me ouve.
Você não me espera.
Eu paro e sento
E desço do palco.

Eu me calo.
E meu olhar leva embora o sorriso,
O sorriso iludido
Que faz restar um olhar fraco.

O tempo passa e eu não uso relógio.
A terra se move enquanto eu ainda estou parada.
As pessoas crescem,
mas eu ainda jogo pedrinhas para o alto.

A música pára
e eu não tenho mais vontade de dançar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Luz

Luzes tornam-se mais interessantes
Quando não brilham o bastante
E uma simples faísca
Fraca, com vontade de apagar
Nos intriga
E prende nossa atenção
E ficamos a observar
Só para saber até quando vai durar

E as vezes, de tão fraca
Temos que forçar os olhos
Para então não perdê-la de vista
E as vezes, de tão forte
Nos forçam a fechar os olhos
Só por proteção
Mas abrimos novamente
Só para vê-la apagar
E sabemos que vai

Luz, tão pequena e calma
No meio da escuridão e do medo
Não haveria lugar mais propício
Contradição tão intrigante que evita pensamentos
Luz, tão fraca e forte
Pequena e duradoura
Seria mais fácil se me disseres
Até quando vais aguentar

Mas insiste que eu fique aqui
Somente a te olhar
Gostas que eu olhe para ti?
Pois vá embora, que tenho mais o que fazer
Mas só me vou, depois de ti
Oh, luz ingrata e egoísta

Deixe-me fechar os olhos
E abri-los novamente
E não sentir diferença nenhuma
Deixe que minha vida
E minha morte
Tornem-se uma

Vá luz, vá
E procure alguém que queira
Olhar-te eternamente e não
Alguém que sente-se fascinada por ti
Que conta as horas para sua partida
Vá luz, vá
Antes que eu me arrependa
De ter olhado pra ti
Naquela primeira vez

sábado, 22 de janeiro de 2011

Talvez

Talvez eu pense nas minhas atitudes
Nos meus defeitos e imperfeições
E até nas pessoas que não deveria pensar
Mas nada mais do que isso

Talvez eu tente melhorar
E até ser quem eu não sou
Só pra no fim, você gostar
Mas nada que faça diferença mais tarde

Talvez eu viva lembrando
Ou eu só viva, pelas lembranças
E logo,eu esqueça de viver
Deixando de lado as novas lembranças

E essa obrigação de estar viva
Essa distância que separa
dois mundos tão desiguais
Não faz diferença alguma.
Só me faz pensar.

E talvez eu pense.
Pense, pense mesmo.
E talvez, eu nem me canse.
Mas nada mais do que isso.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Calma, coração.

As vezes, o ar ia embora,
E na companhia da solidão
A menina agora não chora,
E o mendigo já não quer mais o pão.

As vezes, a música parava
Só o tempo seguia um caminho
E a saudade agora apertava
Um pássaro em busca do ninho

Em meio a luz do sol escondida
O vento não desistia de acalmar
As esferas da alma iludida

Mas que busca infeliz, não?
Esta, a procura da calma
Como poder sentir calma
Se no peito tem-se um coração?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vazio

Era meu pedido de,
um simples, não vá embora
Um desejo, de
só mais um abraço...
A vontade de só mais um olhar
Antes do vazio.

Era minha luta
Contra a realidade,
meu sonho e meu riso
Era minha companhia
Meu abrigo e minha paz
Antes do vazio.

É meu defeito
Meu pecado
Minha ausência
Meu querer ser
De um não ser.

É a minha não sabedoria
Minha teimosia
É a parte de mim
Que não se mostra
Não se gosta

É a parte de mim
Que não se entende,
nem se ensina
nem se aprende
É o vazio.