segunda-feira, 8 de agosto de 2011

.-.

Eu guardo, porque eu prezo.
Eu falo, criticam.
Eu falo, e sem querer limito.

Olhe minha face fria
Abrace. E sinta meu coração quente.
Despeça sem olhar pra trás.

Vá embora e leve meu sorriso
Mas não esqueça de que me deixou chorando.
Nem de que aquele era o melhor dos meus sorrisos.

Siga seu coração e vá.
Enquanto eu te espero.
Eu sigo meu coração
E permaneço aqui.

domingo, 10 de julho de 2011

Despedida.


Era sempre a mesma coisa. Despedidas. Lágrimas. Sorrisos. E eu, sozinha. Longe. Observando. Depois do adeus, a sensação de estar sem chão não era mais estranha. As lágrimas escorriam com facilidade pelos meus olhos. Não era necessário forçar o choro, como nas outras vezes em que chorar poderia ser um alívio, porém, era sempre difícil e um processo, digamos, demorado. Daquela vez não. As lágrimas eram espontâneas e nem era preciso um bom motivo pra chorar, já que você estava, ainda, tão presente em minha mente. Tão presente na nossa lembrança. Tão presente na nossa casa. E eu andava, desordenada ainda, a procura de chão; a procura de calma. Eu andava pela casa e qualquer estúpido lugar, qualquer inútil objeto deixado, ainda que seja na cabeceira da cama, me lembrava você. A casa ainda tinha você. Mas sem você. E aquilo não mais me desordenava, nem me doía. Não mais. Porque eu já criara uma ridícula experiência, ou que seja uma adaptação às despedidas. Aquelas outras despedidas, ainda estavam em mim, em algum lugar, me fazendo doer mais. A minha coleção de situações como essa, já me fizera entender, que eu não era suficientemente forte, ou pelo menos, não me mostrava tanto, a ponto de ridiculamente te pedir pra ficar mais, um pouquinho que seja. E eu poderia fazer isso quantas vezes fosse preciso, até que esse poquinho, tornasse a minha única certeza de que haveria um bom motivo para esperar o depois. Mas eu já era um ser vivido. Eu já entendera que nem a raiva, nem a dor, levariam a lugar algum, a menos que o tempo usasse seu glorioso poder na história, caso contrário, eu me cansara de envolver tanto eu mesma numa situação que já estava feita, decretada e logo mais, seria só mais um passado.
Mas que era inevitável a sensação de abandono, a sensação de que tudo não passara de, um sonho talvez. Isso era. E tudo agora, não passara de um passado. De uma lembrança boa. De uma paz. Que sempre ao lembrar, eu me sentiria só. Fraca. Sensível. Era tudo assim. Era tudo sempre assim. Foi tudo assim. Eu não suportava a ideia de ver-te indo embora. Despedidas sempre foi meu ponto fraco. O meu ponto mais fraco. E eu daria tudo pra sair dali. Pra sair de onde as lembranças me atormentavam. Fugir do sofrimento que é ver alguém que se ama ir embora, sem prazo pra voltar. Era por isso, que eu também não gostava de presentes. E você sempre me deixava um. Que me lembrava a sua alegria de presentear alguém que se gosta. Você me passava a alegria de ver o sorriso de quem se ama. Você me acolhia. Mas você, também ia embora.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sorrir

Ela sorria e nem tinha motivos para isso
Sorria sem pensar, sorria sem pesar
E a resposta era apenas um sorriso
A resposta de uma pergunta que nem ela mesmo ouviu

Ela olhava e logo sorria
Ele olhava, não entendia, porém sorria
Ela sorria sem querer nada em troca
Ele sorria, como uma forma de resposta

Ela nem sabia como iria ser o dia
Como sua mãe estava, quais eram seus problemas
Ela mal respondia, ela sorria.
Ela sorria para o mundo e o mundo sorria para ela

Ela desarma, ao sorrir.
Ele, tinha o olhar como sua arma.
Ela ao sorrir, desarma.
Ele, ao vê-la sorrir, se entrega

sábado, 18 de junho de 2011

De novo e pra sempre

É perto de você que eu não sou
Você espanta o meu maior medo
O medo de mim mesma

É perto de você que eu me deixo de ser
E sou o que eu queria ser
E num sonho, num sono
Num fechar de olhos
Eu vejo você

E de novo é perto de mim que você está
Mantenho meus olhos fechados, com medo de que vá embora
Aí tudo se perde
Eu me perco e não me procuro
E você encosta sua cabeça em meu ombro
Aí eu consigo sentir cada orgão do meu corpo
trabalhando duramente para que meus olhos se abram de novo
Mas eles nem se preocupam

E deixam o tempo passar
E o tempo passa e minhas mãos coçam
com a vontade de acariciar seu cabelo
Mas estou muito ocupada, tentando não deixar meu coração fugir
E meus olhos sem querer se abrem

E é aí que eu te vejo, vindo em minha direção
E é aí que eu não faço nada e viro um outro nada
É aí que eu te olho, e te olho
E aqui você está, perto de mim
De novo e pra sempre.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nos meus dias demorados

Nos meus dias demorados
Eu mais penso do que falo
Eu mais lembro do que faço
E esqueço do dever

Não cumpro obrigações
Não sorrio pra qualquer um
Nem ao menos olho pra qualquer um
E esqueço da educação

Nos meus dias demorados
Espero o tempo passar
Rezo pra você ficar
E esqueço que tudo vai mudar

E quando meu dia passa
Eu lamento meu tempo perdido
Mas não me preocupo com o amanhã
Porque ele vai ter muito tempo pra passar

domingo, 15 de maio de 2011

Disseram que minha linha era um verso,
Que meu barulho era música,
Que meu riso era felicidade
Que minha tristeza, era saudade.

Disseram que tudo ia passar
E passou!
E depois, ainda assim disseram...
E não pararam mais de dizer

Enquanto eu atravesso a rua,
Dizem que vou pra escola
Dizem que volto da escola
E eu...
Que nem sei onde estou...

Ando quieta e calada
Sou cega e surda pro mundo
Por que ele não é assim comigo também?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Céu

O céu era a resposta
Era o abrigo e o consolo
De uma vida sem caminhos
Lá estava ele de novo
Agora tão diferente dos meus olhos já crescidos
O céu que viu meus olhos crescerem
O céu que não se cansa dos meus olhares
que a todo tempo fazem pergunta...

Agora que meu tempo já passou
Meu destino já se traçou
Meu lar me deixou
E minha vida mudou (?)

Poderia eu ainda olhar-te com meus olhos de antes?
Ou será que poderiam ainda estar aqui?
Sou eu aquela menina que desenhava nas nuvens
de um céu azul puro de nuvens de algodão?

Agora que larguei meus tesouros
Atirei-me numa estrada longa e cansativa
-e por que não, complexa?
Sou eu quem procura por pedaços de algodão
num céu ferido e dominado por poluição?

Agora que a vida me jogou
para um céu sem brilho e sem pureza
Um céu assustador que esconde sua paz
antes tão estampada em suas cores tímidas

Sou eu quem te olha e te implora
Te imagina e te devora
Sou eu quem te procura puro
Quando a pureza não mais...
É digna de se olhar.