quarta-feira, 18 de abril de 2012

Eu pedi a chuva
E assim acabei com o Sol
E aí choveu molhando crianças
Molhando animais, molhando vida.

Eu pedi a chuva
Como um alívio que atingisse o peito
Que matasse angústia
Que curasse defeito.

Eu pedi a chuva
Querendo água e flores alegres
Água que matasse a sede
Flores que por mim dissesem

Mas a chuva só tirou luz do Sol
E trouxe nuvens tristes
A chuva molhou meu dia
A chuva molhou meu canto.

domingo, 8 de abril de 2012

Aí então, antes de dormir, pensei em você
Mas pensei mesmo, ao fechar os olhos,
Vi seu rosto me tirar o sono
Vinha-me a lembrança do nosso beijo

Agora aqui estou, sozinho na noite,
Esperando até que eu te esqueça
Até que a realidade enfim apareça
E traga de novo a tristeza que me tiraste
Quando naquela noite me abraçaste
Quando seu corpo do meu se aproximou
E num instante nada mais era o que  era
E a ligeira transformação aqueceu meu coração

Aí, então, aqui e agora
Falo-te que nesta noite pensei em você
Naquele seu toque suave e quente
No seu rosto e no seu olhar... Seu sorriso...

Eu, antes de dormir, pensei em você
E falo-te isto sem olhar nos seus olhos
Falo-te isto sem esperar que acredite
E o que me importa mesmo é que pensei em você

Mesmo não podendo, nem acreditando
Pensei em ti só porque quis pensar em ti
E nada mais
Pensei em ti só porque quis sorrir

terça-feira, 6 de março de 2012

Nós

Ainda o que sei não me importa
Nem me cativa
Busco ainda o impossível
Busco ainda me ver em ti
Porque o que eu digo em palavra
Não diz mais que meu silêncio
Nem meu sorriso
Nem eu mesma
Ainda que uma fotografia fale por nós
Uma poesia
Ainda que um música fale por nós
Um toque
Quem sabe o silêncio
A fé, o destino, a vida
Quem sabe o sol
a lua, as estrelas e a noite
Quem sabe nós?
Há alguns dias senti como se minha vida tivesse acabado. Mas, infelizmente não acabou. Desde então, eu não vivi mais, mas aguentei. E fui aguentando. Até que meu sono começou a ficar perturbado. Minha mente também...
A insônia e o excesso de pensamentos foram, digamos que normais, até então. Porém eu havia perdido a vida e estava abalada. Eu continuei vivendo como se a vida não existisse.  Eu percebi que as coisas mudariam sim, mesmo eu achando que não mudariam mais.

A vida insiste em me surpreender e eu teimo em achar que ela não me surpreenderá mais, um dia. Não estou acostumada a viver. Nunca estive. Vivo procurando sinônimos para isso. Para quem sabe entender... Mas eu também não entendo e teimo em entender. Não encontro motivos nem razões mas teimo em procurar. E insisto ainda em ir e procurar um caminho que eu sei que não me levará a lugar nenhum.

Por que? Eu não sei.  Por favor, não me venha com perguntas. É só o que eu peço. Eu peço que não queiram respostas. Porque hoje, nesse quarto vazio, nessa casa sem pessoas, nessa cidade desconhecida. Nessa janela sem cortina. Nesse cheiro e nesse estado... Nesse silêncio e nessa solidão. Eu não sinto, nem sequer, mais medo do escuro.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A palavra certa
Para o momento certo
A música certa
Na hora certa

O mesmo olhar
E a mesma respiração
A mesma letra
E o mesmo sorriso triste

O lugar certo
Na caminhada certa
Com a bagagem certa
Para o destino certo

A pessoa errada
Sentimento errado
Errado pensamento
Erro de viver

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Caminho perdido

Eu não entendo esse medo do silêncio
Esse medo de perder
Se eu nunca soube falar
Nem nunca tive alguma coisa

Esse medo de errar
Medo de sofrer...
...Sofrer por medo
Quando eu nem sei o que é certo

Esse medo da vida
Das pessoas, do amor e da morte
Desse caminho tão díficil
E esses lados tão distantes

Essa cabeça quebrada
E esse coração partido
Esse medo da estrada
Caminho perdido

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Não vou reclamar da saudade
Nem deixar meu desespero subir a cabeça ao ouvir sua voz
Não vou reclamar da dor
Nem da distância que nos impede de um abraço

Não vou falar mais que te amo
Nem demonstrar meu carinho em vão
Não vou falar palavras que não dizem nada
E que nem ao menos descrevem meus sentimentos

Não vou pensar em você
Nem culpar a distância, o destino ou Deus
Não vou reclamar...
Nem falar, pensar ou desejar

Eu vou segurar meu grito
Vou buscar meu ar quando ele fugir
Vou deixar minha vida (se é que ela um dia existiu)
Eu vou pegar a estrada.

Eu vou largar tudo
Eu não vou mais pensar no mundo
Eu vou sair sem me despedir
Eu não vou mais sentir dor