domingo, 30 de setembro de 2012

Alegria sem nome

Eu ria e chorava ao mesmo tempo
E procurava onde estavam todos aqueles "eu te amo" que eu lia
E meu coração, de repente, triplicava de tamanho
E eu era tomada por uma alegria que ainda não tinha nome

Eu era levada pra algum lugar que eu não conhecia muito bem
Mas que eu não queria mais sair
Não queria mais deixar
E esse lugar era só ao seu lado


As lembranças, as memórias, nossas histórias
Me vinham não só a mente, mas ao coração
E eu era tomada por uma alegria que ainda não tinha nome
E eu queria voltar e parar o tempo, só um pouquinho

Eu desejava não ser mais tão forte
Eu desejava ter coragem pra te falar uma última vez
Eu desejava não ter medo e não saber da verdade
Eu lia seu nome
E era tomada por uma alegria...


As palavras não cabem mais nos versos
Os pensamentos se foram
Os sentimentos se perderam
E não vai ser mais eu quem vai busca-los

A beleza do amor
Nas noites mais calmas
E o mais profundo dos sonhos
E só o meu cansaço para compensar

Esse mundo nojento
Essa realidade esdrúxula
As pessoas, não menos que isso, hipócrita
Me vão adoecendo a vida

E eu, por falta de escolha
Falta de sorte
E de prazer
Saio de casa sem nada a dizer.

domingo, 19 de agosto de 2012


Até que você descobre,
Lá naquele lugar longe
Aquela pessoa longe
Que há muito tempo atrás,
vocês já foram próximas
e dividiram um tempo,
um lugar.

E por pouco
Pouco tempo,
Vocês foram um só
Um encontro de almas,
Uma troca de olhares,
Um pensamento, um desejo.

Um simples gesto, que ficou na memória
Preservado pelo tempo.
E nem o tempo, tão forte e cruel,
Deixou levar...

E aí descobre
Lá longe
Que já foi criança,
Que já errou,
Que já fez tudo aquilo,
que hoje nem perdoaria mais...

E aí descobre
O poder do tempo
E vê, o quanto tudo muda.
Mais do que possamos imaginar.

E aí descobre,
O quanto somos fortes
Mais do que possamos entender...

E aí descobre, tarde demais...

sábado, 11 de agosto de 2012

Um lado que desconheço


Um lado que desconheço
Que arrepia a alma e aquece o peito
Um lado que está em mim e não é meu
Que só encontro quando me perco

É assim, então, que amanheço
Ao olhar nos seus olhos
E sentir-me protegida diante do meu maior perigo
É assim que me entrego
E fecho os olhos pra te enxergar melhor

Pergunto-me  onde e quando
Mas foi logo e  bem aqui dentro
Respondo sem possuir palavras
Deixo tudo quieto e confuso
Deixo-me assim como sou

Voa


Voa, voa, voa, voa, voa, voa, voa.

Cai!

Para.
Pensa.
E chora

Passa um dia
Uma semana
Um mês

Voa, voa, voa, voa

Cai!

Trabalha, estuda, bebe.
Vem a noite, vem o vento...
E voa!

E cai!

E voa...

E cai!

Cai!

E já não quer mais voar.

sexta-feira, 29 de junho de 2012


Talvez eu teria mais facilidade com palavras
Mas não com sentimentos.
Eu poderia saber exatamente o que fazer
Mas simplesmente não ter coragem para isso.

Poderíamos conversar sobre muitas coisas
Ou somente das nossas semelhanças
Eu poderia falar o que você quisesse ouvir
Ou somente ficar quieta olhando nos seus olhos.

Eu poderia ser só mais uma
Ou aquela que mudasse sua vida.
Você poderia ser só mais uma
Ou aquela que mudasse minha vida.

E eu?
Poderia só te amar.
E esperar que você volte amanhã
E te amar.
E amar.

quarta-feira, 27 de junho de 2012


      Os anos passam e cada vez mais me sinto convencida de que sou mesmo alguém. Não, de que preciso ser alguém! E rápido, porque o tempo está passando. Mas só o que sei é olhar pela janela a espera de que ele passe mesmo, que passe logo, sem que eu perceba. É só isso que espero da vida, que ela passe. E que eu faço dela, além de perder tempo? Ah, se eu soubesse como ganhar tempo. Certamente perderia-o do mesmo jeito. Ah, se nada fosse tão complicado e eu conseguisse me encontrar em qualquer caminho que fosse... Eu me perderia mesmo já tendo me encontrado. E se eu me contentasse em ter só uma vida normal, em ser uma pessoa normal! Ah, se eu soubesse como ser normal!
      Os anos passam e cada vez me sinto convencida de que sou mesmo forte. Não, de que preciso ser forte! Mas quem disse que quero ser forte? Que quero pensar antes de agir, que quero ser correta, que quero ser rica e ter só uma família? Ah, eu quero tudo errado mesmo. Quero perdição e juventude. Quero barulho, bebida e bagunça. E quanto menos eu for alguém, melhor. Quanto menos eu SABER, melhor também. E que minha vida seja sempre de menos.
      Os anos passam e já não sei de mais nada. Já cansei de ter e não ter. Do sim e do não. Já cansei de esperar, de (não) acontecer. Cansei da rotina, mas mais ainda eu cansei de mim. De me olhar no espelho. De me ver sempre do mesmo jeito. Cansei da minha voz. Do meu cabelo. E quando eu tiver que fugir de novo, fugirei de mim mesma.