Eu sei, esse vento e esse lugar
Não são mais meus.
Estou aqui, distante.
Estou aqui, tentando estar.
Mas é um lugar que não posso mais chegar
Esse vento e esse lugar,
E a tua lembrança
Que já não sai de mim
Eu fujo tentando estar
Em qualquer lugar que eu não possa lembrar.
Mas essas lembranças
Esse tempo
E essa vida perdida
Fazem-me querer gritar,
um grito mudo.
E esse vento e esse lugar
Essas lembranças e eu...
E qualquer coisa fora do lugar
Qualquer bebida escondida embaixo da cama
Qualquer lágrima presa no aperto do peito
Eu, aqui, esse vento...
Nesse lugar.
domingo, 4 de maio de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
Cotidiano
Depois de uma noite, bem ou mal dormida...
Depois de acordar e logo sentir o peso do dia,
de tirar disposição para levantar
(não sei de onde, talvez do hábito).
Depois de pegar o carro ou o ônibus,
andar na chuva ou no sol,
ter tomado um café bom ou ruim,
ter visto pessoas agradáveis ou desagradáveis...
Com os velhos, ou os novos problemas na cabeça...
Com medo da prova de amanhã,
com medo da filha internada,
com saudade dos pais,
com a ansiedade da nova viagem,
com as lembranças da noite perfeita...
Depois de acordar e logo sentir o peso do dia,
de tirar disposição para levantar
(não sei de onde, talvez do hábito).
Depois de pegar o carro ou o ônibus,
andar na chuva ou no sol,
ter tomado um café bom ou ruim,
ter visto pessoas agradáveis ou desagradáveis...
Com os velhos, ou os novos problemas na cabeça...
Com medo da prova de amanhã,
com medo da filha internada,
com saudade dos pais,
com a ansiedade da nova viagem,
com as lembranças da noite perfeita...
Eu não sei como você está, nem o que você pensa.
Eu não tenho tempo para isso e nem me interessa.
Eu já te conheço o suficiente.
E eu não espero nada de você.
Eu não tenho tempo para isso e nem me interessa.
Eu já te conheço o suficiente.
E eu não espero nada de você.
Ah não ser seu olhar, talvez seu sorriso
(que se eu soubesse como despertá-lo...
eu certamente o faria)
eu certamente o faria)
Eu só espero você passar
E ao te ver passar ninguém mais te deseja um belo dia do que eu.
E ao te ver passar ninguém mais te deseja um belo dia do que eu.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Metrópole
A altura dos prédios rouba minha visão
Os carros todos me prendem
E eu não me mexo, nem me enxergo
Quem sou eu aqui?
Que lugar é esse, cheio de fumaça
De pessoas e movimentos
De passos que eu não consigo acompanhar
De céu sem cores e árvores perdidas, esquecidas
Que lugar é esse, de tanto excesso
Cheio de olhares atentos e cansados
Olhares que não correspondem sorrisos
E onde está o sorriso?
Que pessoas são essas que eu nunca vi
Que vivem para o trabalho
Que correm para não perder o ônibus
Correm para não perder tempo
Correm para não perder dinheiro
Correm para (não) perder a vida
Será que alguém consegue me ver aqui?
Não, não há tempo para isso.
Ah, eu preciso ir embora
Antes que eu precise correr para viver
Os carros todos me prendem
E eu não me mexo, nem me enxergo
Quem sou eu aqui?
Que lugar é esse, cheio de fumaça
De pessoas e movimentos
De passos que eu não consigo acompanhar
De céu sem cores e árvores perdidas, esquecidas
Que lugar é esse, de tanto excesso
Cheio de olhares atentos e cansados
Olhares que não correspondem sorrisos
E onde está o sorriso?
Que pessoas são essas que eu nunca vi
Que vivem para o trabalho
Que correm para não perder o ônibus
Correm para não perder tempo
Correm para não perder dinheiro
Correm para (não) perder a vida
Será que alguém consegue me ver aqui?
Não, não há tempo para isso.
Ah, eu preciso ir embora
Antes que eu precise correr para viver
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Mais uma vez
De novo te encontro e te quero
De novo te espero
Meu coração, de novo, pensa em viver
Um novo engano, de novo
De novo perco minhas noites de sono
Passo os dias sonhando,
o esquecer do mundo
De novo esqueço de mim
De novo, um novo beijo seu
Um novo amor, de novo
Um sonho novo
Um beijo novo, de novo
Eu, de novo,
Nova perdição, nova paixão
Um novo medo, uma nova ilusão
De novo, um novo novo.
De novo te espero
Meu coração, de novo, pensa em viver
Um novo engano, de novo
De novo perco minhas noites de sono
Passo os dias sonhando,
o esquecer do mundo
De novo esqueço de mim
De novo, um novo beijo seu
Um novo amor, de novo
Um sonho novo
Um beijo novo, de novo
Eu, de novo,
Nova perdição, nova paixão
Um novo medo, uma nova ilusão
De novo, um novo novo.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Existência
Penso que existo
E a cabeça dói, a alma pesa
Mandaram-me viver
E eu não soube recusar
Agora já sou eu
Posso ser um outro?
Tenho a mim
Mas a mim não desejo
Vivo assim, sendo.
Não sei não ser
Ainda que eu queira
Querer saber não ser
A vida que deram-me
Não soube aceitar
Vivo assim, sem a vida
Que todos me esperaram acreditar
E a cabeça dói, a alma pesa
Mandaram-me viver
E eu não soube recusar
Agora já sou eu
Posso ser um outro?
Tenho a mim
Mas a mim não desejo
Vivo assim, sendo.
Não sei não ser
Ainda que eu queira
Querer saber não ser
A vida que deram-me
Não soube aceitar
Vivo assim, sem a vida
Que todos me esperaram acreditar
domingo, 5 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Talvez nada seja mesmo real
Mas que sei eu mesmo,
Senão o que penso que seja
O mundo que acho que é?
Se meu mundo for seus olhos
E que eu viva só para vê-los brilhar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?
Se meu mundo for as ondas do mar
E que eu viva só para senti-las me levar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?
Se meu mundo for só canções,
cores e sensações.
...E então, eu? O que sou?
Se nem sei quem sou
onde estou, nem por que
nem por nada.
Será que eu faria diferença para o mundo?
Mas que sei eu mesmo,
Senão o que penso que seja
O mundo que acho que é?
Se meu mundo for seus olhos
E que eu viva só para vê-los brilhar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?
Se meu mundo for as ondas do mar
E que eu viva só para senti-las me levar
Será que meu mundo faria diferença
para o mundo?
Se meu mundo for só canções,
cores e sensações.
...E então, eu? O que sou?
Se nem sei quem sou
onde estou, nem por que
nem por nada.
Será que eu faria diferença para o mundo?
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