A ponta aponta meu ser
num falso papel sem sentido
Paro. Me perco de novo
De novo, (me) perco minha perda
A ponta me espera e me encontra
intervalo sem ver meu viver
Paro. Penso e reparo
meu engano de tentar (me) ser
Sinto-me que não (me) sou
Sinto-me tanto que não (me) sei
A ponta desenha meus dizeres
Palavras desenham meus quereres
Escondo-me e (me) tento esconder
Me calo. Me espalho sem ser.
A ponta pronta.
Mania pronta, dúvida pronta
Eu-ponta.
Vida em conta e não conta.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Corro tanto
Esqueço todo o caminho
Sigo a direção
E (me) esqueço.
Mas quando me perco
Quando não sigo
Não tenho direção
Quando (me) paro...
Te lembro cada detalhe
Cada estúpido detalhe
Te lembro cada palavra
E (me) sinto.
Abro a gaveta
Que te guardei
E me enterro.
Te olho
e (me) mato.
Tu me quebra
Sufoca
E eu abro a gaveta
Para te chorar.
Vou (me) Lembrando
(Te) lembrando
Até que tu me cala.
Tu me cala
E eu me fecho a ti
Na mesma gaveta.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
A distância pousou
de leve sobre meu ser
Vou sendo, esquecendo
Desejando...
Uma última culpa.
de leve sobre meu ser
Vou sendo, esquecendo
Desejando...
Uma última culpa.
Meu sorriso jogado na parede
Eu que não tive passado
Nem retrato
Nem apelo.
Eu que não tive passado
Nem retrato
Nem apelo.
De resto,
uma infância fincada num
papel amassado
Agora vivo
Sobre um papel amassado
Implorando palavras
que me escapam
me encapam
e me quebram.
uma infância fincada num
papel amassado
Agora vivo
Sobre um papel amassado
Implorando palavras
que me escapam
me encapam
e me quebram.
Palavras
que quebram-me ao meio
separo-me nas páginas
Que me restaram,
Num livro sem segredo.
que quebram-me ao meio
separo-me nas páginas
Que me restaram,
Num livro sem segredo.
Páginas
rasgadas
engadas,
afogadas
Numa lágrima atrasada.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Prisão Cega
Páginas e páginas de nada
Certificados de arrependimentos
Inscrições de perda de tempo
Congressos sobre fingir
Escondo-me nessas roupas sujas
E sou o que me obrigaram a ser
Uso palavras mandadas
Que compram minha saúde
Uso palavras medidas
E passos contados num sapato apertado
E dizem ainda me ver dentro dessa
prisão cega.
Minha recompensa, o cansaço
Meu ser comprado pelo ter
Meus sonhos vendidos a migalhas
E ainda dizem que me falta
um carro na garagem.
Certificados de arrependimentos
Inscrições de perda de tempo
Congressos sobre fingir
Escondo-me nessas roupas sujas
E sou o que me obrigaram a ser
Uso palavras mandadas
Que compram minha saúde
Uso palavras medidas
E passos contados num sapato apertado
E dizem ainda me ver dentro dessa
prisão cega.
Minha recompensa, o cansaço
Meu ser comprado pelo ter
Meus sonhos vendidos a migalhas
E ainda dizem que me falta
um carro na garagem.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Distância Fresca
Olha você, ali,
deitada no sofá,
e eu aqui, na mesa,
com tanta saudade de você!
Seus olhos fechados,
sono calmo, imóvel,
e eu, aqui, inquieta,
com tanta saudade de você!
Saíamos para um café,
você lia o cardápio,
eu te olhava e sentia,
tanta saudade de você!
Aqui, lado a lado,
Depois de tantos anos
Depois de tanta saudade
Como pude não esquecer você?
Você me beijava e me cantava
Sonhos de amores infelizes
Eu, quieta, encolhida,
com tanta saudade de você!
deitada no sofá,
e eu aqui, na mesa,
com tanta saudade de você!
Seus olhos fechados,
sono calmo, imóvel,
e eu, aqui, inquieta,
com tanta saudade de você!
Saíamos para um café,
você lia o cardápio,
eu te olhava e sentia,
tanta saudade de você!
Aqui, lado a lado,
Depois de tantos anos
Depois de tanta saudade
Como pude não esquecer você?
Você me beijava e me cantava
Sonhos de amores infelizes
Eu, quieta, encolhida,
com tanta saudade de você!
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Mais nada, mesmo nada.
Todos os dias penso em parar de morrer
Penso em desistir de novo,
Ou tentar uma carreira de sucesso,
Todos os dias me arrependo d'onde estou
Sinto, todos os dias, a morte mais próxima ao anoitecer
Depois das luzes cinzentas dos meus dias,
guardo as lembranças empurradas
de tudo aquilo que obrigaram-me a viver
Não sei o que é sucesso,
Nem o que é dinheiro, ou política,
Não sei o que é ser feliz, nem quero
Não sei o que é amor e nem acredito (mais)
Não sei mais nada, mas vivo.
Mesmo morrendo todos os dias,
Mesmo perdendo (mais) o controle,
Mesmo...
Todos os dias perco um pedaço
disso que chamam coração
Ele se perde por entre a destruição
Poluição, corrupção, enganação,
...Mundo!
Todos os dias penso em começar a viver,
mas acabo esperando a morte me acabar.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Palavra mal calada
Palavra desgasta(da) minha pele
Voou e nem sequer deixou
O débil toque, acostumado
D'amor, da dor do peito.
Mandou um beijo e s'entregou
Ao tédio, ao ébrio, o cego.
Desusada, descuidada, palavra
Que o silêncio enforcou e (a)pagou.
E riscou no frio da vida
No fim da ponte amarga
Gosto vazio da palavra seca
Engasgada no (seu) último passo
Passos que ainda soam apressados
Despregados do apreço inútil
Inválida saudade, interrompida,
S'esvaiu no ousar da ponte.
Palavra desgraça(da) minha dor
Perdida, imunda no mundo.
Infinito pesar do amar
Acabou-se num sono profundo.
Voou e nem sequer deixou
O débil toque, acostumado
D'amor, da dor do peito.
Mandou um beijo e s'entregou
Ao tédio, ao ébrio, o cego.
Desusada, descuidada, palavra
Que o silêncio enforcou e (a)pagou.
E riscou no frio da vida
No fim da ponte amarga
Gosto vazio da palavra seca
Engasgada no (seu) último passo
Passos que ainda soam apressados
Despregados do apreço inútil
Inválida saudade, interrompida,
S'esvaiu no ousar da ponte.
Palavra desgraça(da) minha dor
Perdida, imunda no mundo.
Infinito pesar do amar
Acabou-se num sono profundo.
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